Miar à Chuva

segunda-feira

Um pouco de mim

Desde que me conheço por gente sempre fui um coração de manteiga. Se alguém é meu amigo eu faço tudo por essa pessoa. Não consigo negar um favor, um pedido, um desejo a alguém a quem considere amigo. Lembro-me de uma peripécia minha de quando andava no 2º ano do ensino básico: eu tinha uma amiga cujos pais eram bastante pobres e ela não tinha bonecas. No dia seguinte, eu levei-lhe as minhas barbies e cindy's para ela brincar (com respectivas roupinhas, fogões, panelas...). O problema foi que eu levei aquilo para a escola e a professora estranhou eu estar a levar aquela sacada toda para lá e no dia seguinte mandou chamar a minha mãe. Claro está que a minha mãe não gostou nada da história, mas safei-me de levar um safanão porque tinha sido por uma boa causa;-)
Com o decorrer dos anos fui-me decepcionando bastantes vezes com diversas pessoas que considerava amigas e hoje sou uma rapariga, que apesar de ser bastante alegre e risonha sou, também, muito reservada. É me difícil deixar entrar alguém no meu rol de amigos, mas quando se entra... dificilmente sai!!
Por isso não é de estranhar a minha acção de ontem. Tocaram à campainha e quando vi uma rapariga de leste com um menino disse-lhe logo que não tinha dinheiro em casa (por aqui esta situação anda a ser muito frequente). Ao que ela me respondeu (já estava eu a fechar a porta) que não queria dinheiro, que só queria algo para comer... Vão-me desculpar, mas aí o meu coração derreteu-se completamente, e voltei a dar uma olhadela ao menino que ela trazia pela mão. A criança não devia de ter mais do que 7 anos, mas estava asseado e com roupas quentes, ao contrário da mãe, uma moça que rondava os 28 anos, que vestia uma mera t-shirt e umas havaianas. A chover a potes e um frio de rachar e aquela moça com havaianas!!! Claro está que lhes dei comer... e ainda dei ao menino artigos escolares. Ainda agora enquanto escrevo estas linhas vêm-me as lágrimas aos olhos ao lembrar-me da reacção da moça- desabou em lágrimas e agradecimentos.
Por isto considero-me uma pessoa com sorte. Apesar das desilusões que frequentemente enfrento, continuo, até agora, a ter o mesmo coração de criança que sempre tive!