Miar à Chuva

sexta-feira

A deliciar e a pensar...

Hoje ofereceram-me um bombom delicioso com uma frase que me fez pensar:
"Nunca se encontrará uma só mulher cuja beldade ou feiúra os homens todos não reconheçam"
G. Leopardi
Humm... Será disparate ou reflexão reflectida? Ehehehhehe ;-D

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terça-feira

Concordo e assino por baixo!

Quando o comércio quiser


"As compras de Natal são sempre, para mim, momentos de enorme prazer.
Nunca percebi muito bem as pessoas para quem as prendas desta época são uma obrigação instituída, uma coisa que tem de ser, uma espécie de competição para ver quem despacha mais e no mais curto espaço de tempo, tudo a correr e como se estivessem a libertar de um terrível frete sazonal. De lista na mão, vão riscando os nomes, "a tia já está, a prima já está, o chefe já está", e tudo tem um ar mercenário que me aflige muito.
Eu demoro imenso tempo a pensar no que cada pessoa gostará, porque o Natal é também isso, pensar mais um bocadinho nas pessoas, e fazê-las sentir que são importantes para nós, que não são apenas um nome no meio de uma lista, que aquela prenda que lhe damos foi pensada para ela, e só podia mesmo ser para ela.
E depois vêm ainda as horas que passo em casa a fazer os embrulhos, porque também esses têm de ser especiais - já para não falar dos cartões que os acompanham.
Resumindo as compras desta época, para mim, são também um ritual, tal como espalhar pela casa os presépios todos, e armar a árvore, e enfeitá-la - e como tal necessita de tempo.
Começo sempre muito cedo, com as lojas ainda pouco movimentadas - mas nunca antes de finais de Novembro.
Mas este ano, não sei porquê, se calhar levando ao extremo aquela estafada frase de que "Natal é quando um homem quiser", o comércio decidiu querer muito cedo - e apareceu um calendário estranhíssimo, e ao tempo que as lojas estão superlotadas, e as pessoas andam afadigadas nas compras.
Mas afadigadas mesmo transpiradas, despenteadas, aos encontrões a todo o Mundo, sem paciência e a berrarem pelos filhos pequenos que ficam parados diante dos monstros que abundam nas prateleiras infantis. Como se estivéssemos no dia 24 de Dezembro e elas tivessem descoberto que ainda lhes falta riscar os nomes da lista inteira.
Porque agora o Natal começa logo nos primeiros dias de Outubro - ou até antes. Acabamos o último mergulho na praia e já nos furam os tímpanos com o "jingle-bells", o "I wish you a merry christmas", ou a "noite feliz" em várias línguas, atirados pelos altifalantes de todas as grandes (médias, pequenas) superfícies comerciais. É uma overdose de cânticos que até eu, a indefectível, já dou por mim a escolher as lojas onde entro pela música que não dão.Por isso percebi tão bem a angústia daquela empregada que, há dias, me pedia "por favor, não passe diante daquele Pai Natal, porque os sensores fazem com que ele cante de cada vez que alguém se lhe atravessa na frente... Está ali há quase dois meses e eu já não o posso ouvir..."
Claro que lhe fiz a vontade. Até porque a pobrezinha me pareceu pálida, com olheiras, e instintos assassinos, coitada.
Mas, se calhar, era por causa das luzes especiais.
Também elas a caírem-lhe em cima há dois meses..."
Texto de Alice Vieira, JN de 25/11/2007


É impossível não gostar da Alice Vieira.
Uma escritora portuguesa que desvenda com uma simplicidade desarmante e com palavras singelas o mais complicado sentimento ou pensamento que habita no nosso íntimo.

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sexta-feira

Dizem sempre que o tempo muda as coisas, mas na realidade somos nós próprios quem tem de as mudar.
(Andy Warthol)

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terça-feira

A cura

"Um processo de cura é bonita de se ver. Assemelha-se à mudança das estações. As estações nunca mudam para melhor. Simplesmente, seguindo um curso natural, as folhas caem e voltam a crescer, o céu fica mais azul e mais profundo. Do mesmo modo, podemos estar muito mal a ponto de pensar que é o fim do mundo, mas quando esta condição começa a mudar gradualmente, sem que tenha acontecido algo de particularmente bom, sentimos uma força enorme.
(...) O sofrimento, seguindo o mesmo percurso que fez ao vir, desaparece com indiferença."
In "Lua de mel" de Banana Yoshimoto, páginas 93 e 94

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segunda-feira


Excerto:
"As palavras de Khalil Gibran perseguiam-me enquanto criava as minhas pequeninas:
« Os teus filhos não são teus filhos.
São os filhos e as filhas do desejo pela própria vida.
Vêm através de ti mas não de ti e, embora estejam contigo, não te pertencem.
Podes dar-lhes o teu amor mas não os teus pensamentos, porque eles têm os seus próprios pensamentos.
Podes abrigar os seus corpos, mas não as suas almas, porque as suas almas habitam na casa do amanhã, que tu não podes visitar, nem sequer em sonhos.
Podes esforçar-te por ser como eles, mas não procures torná-los como tu.
Porque a vida não anda para trás nem permanece no dia de ontem...»"
(In "Véu Rasgado" de Carmen Bin Ladin, edição da Círculo de Leitores, página 120)

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quinta-feira

Encontro

"(...) hoje descobri que mais do que amar-te, preciso de ti para ser feliz. Hoje descobri que o encontro que ansiava há anos já aconteceu... Hoje penso em ti e sorrio, não porque és mulher, não porque és bela, mas simplesmente porque te encontrei. Quando durmo já não penso em ti. Penso em ti quando acordo." (página 54)
In "E se amanhã o medo", Ondjaki

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Para reflectir...

"Hoje em dia, espalhou-se a ideia um tanto idiota de que, para serem felizes, as crianças devem ter logo tudo: saber línguas, jogar computador. Passo a vida a discutir sobre isso com os casais jovens, dizem-me que sou antiquado e talvez também um nadinha sádico. Não compreendem que, para nos pormos a caminho, precisamos de ter saudades de qualquer coisa. Se eu tiro a luz a uma planta, ela juntará todas as suas forças para conseguir reencontrá-la, as células apicais estender-se-ão espasmodicamente para descobrirem um orifício e, uma vez atingida a meta, a planta estará mais forte porque se deparou com uma adversidade e conseguiu superá-la.
As plantas mimadas, tal como as crianças, só têm um caminho à sua frente, o caminho do seu ego."
In "Escuta a minha voz" de Susanna Tamaro, pág. 133

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segunda-feira

Há livros de que apenas é preciso provar, outros que têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se tornam indispensáveis, por assim dizer, mastigar e digerir.
De Francis Bacon

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